Welcome to the jungle

Como vocês podem ler, a foto (clique para ampliar) é de um contador de homicídios. Ele foi instalado em abril desse ano em uma esquina movimentada no Bairro das Graças, aqui em Recife.

A iniciativa foi da ONG PE Body Count, em parceira com a Faculdade Maurício de Nassau e, segundo a própria equipe do PE Body Count, “a proposta das duas instituições é levar ao conhecimento da população a informação sobre a violência em Pernambuco e, a partir daí, incentivar o controle social, o debate e a participação da sociedade (grifos meus).

O tal contador funciona de uma maneira bem simples: ele mostra o número de mortes no ano, no mês e no dia. O número de assassinatos será atualizado a cada 24 horas e a contagem é feita com base em dados levantados em hospitais, delegacias e institutos de Medicina Legal do estado.

É o primeiro contador de homicídios do mundo a ser instalado nas ruas, mas esse pioneirismo não instiga nenhuma glória. Ao contrário, ele apenas contribui para o enorme retrocesso social que estamos sofrendo.

Hoje passei pela frente e  às 6h45 de hoje já eram 15 assassinatos. Pensei: “Que bom. Foram apenas 15. Logo em seguida, outro pensamento: “Deus do céu. Eu retrocedi. 15 assassinatos às 6h45 É MUITO.”

Lembrei de uma conversa que tive com o Thiago dia depois de sermos assaltados. Ele estava admirado com o fato de apenas ter havido cinco mortes naquele dia. Sinceramente achei que o contador estava quebrado. Não é raro ver um 40 estampado antes das 7 da manhã. Somos ogros. Achamos bom quando só morrem cinco. Fim. Estamos conformados.

A guerra civil é uma realidade. Nenhuma capital (e nenhuma grande cidade) está fora desse contexto. Falo com a experiência de quem já foi assaltado 17 vezes. Falo com a experiência de quem tem que andar na rua de punho cerrado e de cara feia para (tentar) intimidar os olhos ávidos do milhares de criminoso que rondam minha cidade. Não adianta se enganar. O descaso das entidades responsáveis só nos deixa como arma a violência.

Eu queria muito ser que nem esses hipócritas que bradam soluções econômico-estruturais, mas a barbárie já tomou conta da minha vida. Eu bato primeiro, e analiso o sistema depois. Sobreviver exige mais do que apenas falatório.

E aí colegas Dragus e Arthurius? O que a gente faz agora?

Posts Relacionados:

5 Comentários to “Welcome to the jungle”


  1. Gravatar Icon 1 jáááárdel out 14th, 2008 at 8:48 am

    por isso que eu prefiro o interior… num gosto de sair daqui nem pra passear… quando saio não consigo me divertir porque morro de medo de assaltos, ainda mias se for muleque com canivete na mão, porque eu não deixaria um muleque com canivete me assaltar, é mais fácil eu tomar o canivete dele e dar uma coça bem dada no safado e ir preso por conta disso e tomar uma cadeia maior do que ele que tava me assaltando já que ele é menor de idade e a nossa politica proteje esses pilantrinhas!

    digo isso porque trabalho na vara de orfãos e sucessões e tô cansado de ver essses vagabundinhos dizerem na cara mais lavada que roubam e vão roubar de novo porque aqui na minha cidade num tem lugar pra eles ficarem presos…

    é foda!

    cometeu crime, tem que ser punido! não devia ter essa história de coitadinho dele é só uma vítima da sociedade…

    isso só ensina essa mulecada a ficar mais sem vergonha ainda… e chega tambem, num tenho tempo pra ficar aqui perdendo com reclamação que num adianta nada, no dia que eu tiver o poder nas mãos eu resolvo isso! hehehe

    [Responda esse comentário]

  2. Gravatar Icon 2 Jul!o out 14th, 2008 at 9:43 am

    Hoje em dia atéw a comunicação se tornou passiva diante da violência. O que diriamos durante um tiroteio…

    No passado: É Bala!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Hoje: Calma,são só Balas.

    [Responda esse comentário]

  3. Gravatar Icon 3 Evandro Cesar out 14th, 2008 at 2:06 pm

    Cara, moro numa cidade de 110 mil habitantes, nunca fui assaltado, o número de homicídios caiu muito graças a alguns fatores: aumento na oferta de emprego e principalmente na realização de ações simples e eficientes como criação de áreas de lazer e esportes, reforma de praças, quadras esportivas comunitárias e aumento do policiamento ostensivo (acho que esse é o termo) etc. NÃO vou dizer onde moro porque vai parecer campanha política e não é essa a intenção.
    CLARO que tem violência, roubos e mortes, não vivo em Shangri-la (hauauahuhauha) mas o que percebi foi que com poucas ações foi possível reverter um quadro que era muito grave, enfim, quando os governantes se empenham a situação pode melhorar e acredito que muitas cidades por todo o país possuem melhor qualidade de vida, ou de sobrevivência…
    Aliás, quanto custou esse contador?

    [Responda esse comentário]

  4. Gravatar Icon 4 Willian - Risada Forçada out 16th, 2008 at 12:32 pm

    Isso me lembra aqueles contadores do Velho Oeste:

    “Fiction Town, 543 habitantes”

    passava um tempo e…:

    “Fiction Town, 541 habitantes”

    A intenção é que as autoridades tomem providências. MAS ELAS NÃO TOMAM!!! o.O’
    Na verdade, sem educação e emprego não tem batalhão de PM que dê jeito.
    Como já diria o sapiente Zé Seilaquem “é melhor remedir que preveniar”

    ___________
    VIRUS, SPAM & CIA.
    Dá uma olhadinha :D
    http://virusspamecia.blogspot.com

    [Responda esse comentário]

  1. 1 fabio_buchecha no diHITT Trackback on out 13th, 2008 at 6:13 pm

Deixe um comentário. Não dói.




Receba o Pois Bem no seu e-mail!

Digite aqui o seu e-mail:

Uma cortesia do FeedBurner Leitores via RSS

Categorias

Link sem prazo de validade

Arquivo de posts

Visitantes Recentes



Adicionar aos Favoritos BlogBlogs Adicionar aos favoritos do Technorati